domingo, 29 de novembro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O dia que percebi a infinitude do Ser
Hoje reproduzo um texto de 2007, época em que comecei o estudo realmente sério da Filosofia. Não demorou mais do que alguns meses para eu abandonar o subjetivismo, que ainda contaminava algo da minha pobre mente. Este texto abaixo foi escrito num insight sobre a objetividade e realidade do mundo enquanto eu lia algum tratado filosófico, numa pura "epifania perceptiva do Ser". Ainda desconhecendo a Ontologia mais fundamental, fui capaz de descrever numa linguagem meio poético-científica o que depois viria a descobrir constituir-se no Ser das metafísicas milenares e das verdadeiras filosofias.
O subjetivismo idealista à lá Berkeley e Hume hoje me parece impossível, como jamais havia parecido antes em minhas primárias investigações filosóficas.
Todos concordamos invariável e indubitavelmente que há um movimento no Universo, tome-o como massa física ou simplesmente como realidade fenomenológica. Se há um movimento, existe um vetor no tecido metafísico, uma orientação perceptiva, não importa para qual direção.
Ou seja, afirmo hoje, ainda com certo espanto por tal ineditismo em minhas concepções pessoais, que o idealismo subjetivista só seria possível se exatamente cada ponto de manifestação fenomenológica se equivalesse em determinados e finitos pontos no espaço da consciência, se cada ruptura na superfície das manifestações do conhecimento tivesse um espelho, aniquilando-se ou jamais movendo-se de seu loco. Imagino, desta forma, que o Universo possui um tipo de “positividade” inata, pois que mesmo ele existir indica uma orientação de vetor sem equivalência. Talvez seja esta a proposição mais básica na definição de um mundo ilimitado ao subjetivismo.
O idealismo subjetivista cético e relativista não pode jamais afirmar coisa alguma de fenômeno algum. Mesmo a existência ou não do Universo deve ser evitada. O subjetivismo não pode conter realidade. Contudo, o próprio Subjetivismo, ou Idealismo, existir, conota diretamente um sentido de vetor real. Quando algo é, ou não é, possui uma orientação, rompe o tecido fenomenológico de alguma forma.
O subjetivista idealista deveria viver numa massa caótica de conceitos equivalentes e auto-aniquiladores, mesmo não-possíveis, visto que não haveria fenômeno. Do contrário, o subjetivista idealista adquire um vetor epistemológico, um sentido qualquer em seu intelecto. Por que este sentido? Outra manifestação subjetiva de outra consciência em outro ponto no espaço levou à orientação deste vetor? Se não, como ele pode adquirir movimento fenomenológico? Aprofundando este questionamento, o subjetivista teria que abandonar o relativismo para tratar de Deus como fundo de sua “positividade” que ele nem mesmo pode explicar.
O 1 ou o 0. O tudo ou o nada. “Nada é e não é ao mesmo tempo”? Se assim fosse, esta afirmação seria. Mas também não seria? E aí entraríamos num ad infinitum que eventualmente me faz cessar quaisquer dúvidas a respeito de um fundo real em todas as coisas.
Hoje me torno um realista, dos mais convictos.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Inversão no topo
A razão não pode jamais negar a fé. Ora, a primeira fé que temos é a de que "há algo", por exemplo. A razão é uma faculdade operativa, logo precisa ela de matéria bruta para trabalhar, e de onde tiramos esse substrato senão da intuição?
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Maximinglês
Writing about others is dealing a lot with revealing your own self.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Só o Bem conhece
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Conhece-te a ti mesmo
Nada há de mais tangível no universo para o sujeito do que ele mesmo. Esta atividade própria do espírito já é o testemunho inaugural de que há algo.
A partir do sujeito, o espírito segue naturalmente em direção a realidades cada vez menos concretas, conforme a razão vai gradativamente pondo à mostra o seu poder abstrativo, sem o qual a nossa inteligência ficaria presa no absoluto da individualidade sobre si (não é por menos que as crianças apresentam em suas fases iniciais altos níveis de solipsismo). No entanto, acabamos por entender mais o mundo do que a nós mesmos...
Todo sujeito cognoscente conhece mais a si mesmo do que ao mundo, embora compreenda mais o mundo do que a si mesmo.

Edit:
"One may understand the cosmos, but never the ego; the self is more distant than any star."
— Chesterton, in Orthodoxy, p.36
E o que é que devemos fazer aqui?
Este sentimento de que fomos jogados e esquecidos na existência é muito maior hoje em dia, pois nós paramos de "olhar para o céu" - embora seja corretíssimo afirmar que o homem moderno "anda nas nuvens".
É impossível se fundamentar a ação do homem no mundo e sobre o mundo sem antes passar por tais questionamentos. Do contrário, cada norma que se professe será um flatus vocis, nascendo do nada e morrendo no nada, defendendo coisa nenhuma.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Nietzsche
Nietzsche estava no vértice da tensão histórica. Mário Ferreira dos Santos, em uma palestra sobre ciclos culturais, inclusive dá a entender que foi mais ou menos essa época o apogeu da tensão tética/antitética.
On pleasures and hedonism
yet I got nothing but destruction.
Gratuitous pleasure is painful;
If it is not imediately so,
it will be so inexorably in the end.
Anticlímax da Filosofia
O mundo moderno é o anticlímax do desenvolvimento filosófico - o anticlímax por excelência.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Notationes de Creatione
O certo seria falar em "Derivação" hoje em dia.
Vejamos:
A criação como entendida no sentido criacionista não se dá no tempo, pois um ato puro e infinito não pode estar no tempo. O tempo e a eternidade são diferentes. O tempo é a medida do movimento, a eternidade é a medida da infinitude do Ser.
O mundo é criado não cronologicamente, mas axiologicamente. A criação é coeterna.
Deus seria O SER, pois os outros seres são seres por formas específicas. Na verdade os seres que necessitam de uma terminologia mais específica seriam justamente os seres contingentes. Deus continuaria sendo Ser, na acepção ontológica mais usual.
Deus não pode ser o Não-ser, pois o Não-ser é o nada absoluto, e do nada absoluto não pode vir coisa alguma.
Ademais, toda negação e/ou privação é positiva, faz parte do Ser. Ser é uno, não pode haver nada nem acima nem "abaixo" do Ser. O Ser é a Realidade, é a positividade do Mundo.
O Infinito é imanifestável apenas em potência. Em ato, ele é o próprio Ser. O Ser não pode ser Não-Ser nem nada mais nem nada menos que Ser. Se o ser não for infinito, ele deixa de ser perfeito e torna-se um ser contingente.
Do Ser só se "derivam" os seres imperfeitos, que, por tal predicado de imperfeição, possuem potência e são atualizados, o que origina ou propriamente constitui o tempo (tempo = ato -> potência -> ato, etc. = movimento dos seres contingentes)
Ou seja, nem o Criador nem a Criação estão no tempo - são infinitos, mas a Criatura está.
É deveras complicada a apreensão de tais noções; não por menos que só podemos descrevê-las por analogias.
Assim diz o mestre.
Por que Deus criou?
"Por que Deus criou?" - Esta é uma velha questão teológica, e muito interessante.
Aquino, por exemplo, respondia a essa pergunta afirmando que a criação é necessária por ser a única saída à "Glória extrínseca" de Deus, por ser o ato libérrimo de realizar sua própria perfeição em todos os graus possíveis.
Ademais, o que nos parecem "imperfeições" pode diante de Deus exprimir o seu próprio absoluto. Se não me engano, a idéia augustiana da Santíssima Trindade afirma que só no intelecto humano o absoluto triparte-se em Ser (Pai), Conhecer (Filho) e Querer (Espírito Santo) - o que é forçoso, já que somos de natureza imperfeita. Apenas Deus conhece-se perfeitamente.
Aristóteles, um mau exegeta
Na verdade, falando de forma vulgar e simplista, mas ilustrativa:
Aristóteles "se achava o cara", via-se como o grande cume de todo o trabalho filosófico que lhe precedera (não que estivesse errado), e isso provavelmente fazia com que não desse a atenção devida às palavras de seus prógonos.
sábado, 5 de setembro de 2009
Capitalismo e tradição
O Japão parece ser cada vez mais o símbolo da "cultura global", ou uma mistura do tradicional com o moderno (capitalismo e globalismo).
É só lembrar de como o imagery japonês foi imerso num "ideal" (não ideal no sentido de "ideal perseguido", mas o realizável/realizado) do mundo futurista de obras de ficção científica, principalmente a partir dos anos 70/80, que é quando o desenvolvimento súbito dos japoneses atinge seu maior grau de vertiginosidade. Mesmo num Solaris, filme do cineasta russo Tarkovski de 1972, Tóquio já compõe o cenário de fundo para (breves) tomadas de uma cidade no futuro.
Nos anos 80 temos os maiores e mais diversos exemplos dessas utilização frenética de elementos orientais, principalmente em backgrounds distópicos. Blade Runner, de 1982, é o exemplo clássico. A cultura Cyberpunk, por si só, nasce oficialmente com a obra de literatura Neuromancer, repleta de alegorias japonesas e mesmo uma ambientação inicial na cidade de Tóquio ("Chiba City Blues").
Tudo isso sempre me pareceu indicar que o Japão realmente perdeu muito de sua tradição cultural em meio ao frenesi capitalista/globalista pós-guerra.
É de fato curiosíssimo que uma "nova face" do capitalismo como esta surja justamente num ambiente oriental, ainda tão imberbe se comparado mesmo ao terreno americano, que dirá europeu. É no Japão que considero possível o vislumbre da real capacidade do sistem capitalista de "produzir cultura" (vou utilizar a definição mais simplória possível de "cultura", que é a sedimentação de costumes e a atualização material deles).
É interessante também notar que tal manifestação não é uma produção cultural vernacular, genuína, pura e crua ao mesmo tempo, mas uma mistura, uma equação entre traços elementares da tradição oriental com a estrutura capitalista e moderna. Ou seja, o capitalismo é capaz de alterar profundamente uma cultura, mas não gerar uma completamente nova. Pensar o contrário pareceria ingenuidade, logicamente, acredito eu.
Aí está um bom ponto de partida para quem entende o capitalismo como um sistema globalizante por natureza.
Thoughts on intellectual intuition
It's all a matter of intuition, since the feeling is in itself the cause of the question about the legimitacy of the feeling. In the end, it may be the case, and we have a lot of minds supporting this view*, that knowledge is all about intuition - that intuition that Aristotle tolds us we couldn't escape at last in our understanding of how we understand things, of what presupposes knowledge. Or: no matter the way we climb from empiria to universals and truth, the base upon which we build this path consists in an intimate knowledge that is born with us, with our intellect - and this may be the main reason why we have to say that we participate in the reason (logos, nous) of Universe.
We cannot "prove" deduction, nor "prove" the excluded middle, but it's this apparatus that ignites and frames knowledge. We cannot "prove" that two plus two equals four, we only can "show" it, based in the senses. But it's precisely this implicit schemata, attaching numbers to things in our sensuous world, that leads to our conceiving of knowledge as intuition, as deduction preceding intuition, or at least working simultaneously with it, everywhere, anywhere. It's the same topic as treated by Aristotle in his notion of active and passive intellect.
What could be behind this intuition, this "automacy" of thought? Aristotle borrows the idea of "nous" from his beloved Anaxagoras.
Would be the case that the natural way leads us to the "mind of God"? Or is it the intellect-reason of Nature of the pantheists (and most of atheists)?
In the end, it shows itself impossible the conception of a reality without a intelligence, therefore it shows itself equally and ironically unreasonable a materialistic universe.
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* This could be the way out of the Meno's paradox in Plato.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Palmadas no menino barroco
O sistema trágico do alemão de Königsberg transforma as categorias do pensamento em moldes apriorísticos da realidade, transportando a inteligência como que para longe de sua própria matéria-prima. É, sem dúvidas, uma construção infantil do real, no sentido mais psicológico do termo, uma abstração tão forçada e teimosa que teria feito Aristóteles lhe desferir umas boas palmadas. O estagirita colocaria um chapéu de burro no menino barroco e de castigo o faria repetir no quadro-negro a frase "prometo nunca mais chutar a inteligência para fora do real", "prometo nunca mais chutar a inteligência para fora do real", "prometo nunca mais chutar a inteligência para fora do real", riscando com um giz branco fenomênico sobre o numen negro da lousa, e ai dele que não o fizesse de forma concreta!
Ora, o que diz Aristóteles? Que não podemos pensar se não tivermos sobre o que pensar. E o que mais seriam as categorias, senão uma ponte entre a inteligência e o mundo?
Todo o empenho descomunal do espírito aristotélico em harmonizar sujeito e objeto, conceito e substrato, forma e matéria, seria simplesmente rasgado em uma bifurcação cujos caminhos, independentes, a nada levam, exceto a males imperscrutáveis. Aristóteles foi dividido pela história que o seguiu. O que ele buscou unir os outros (modernos) buscaram separar. Talvez só São Tomás de Aquino o tenha compreendido plenamente. Tal acordo, tal harmonia de espírito, pode ter acontecido em função de uma conjuntura que ambos compartilharam: o cosmopolitanismo filosófico - helênico no estagirita, católico no aquinate. (Seria este o mesmo espírito ao qual se refere Mário Ferreira dos Santos quando atenta para a capacidade ecumênica do pensamento brasileiro?)
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Uma frase gnoseológica
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O cenário continua escuro, mas creio que haja sim uma possibilidade de iluminação, tal qual aquela luz crepuscular, bela, porém tênue, que vai banhando o mundo aos poucos - só nos (quem?) resta definir se ela será vespertina ou matutina.
Futuro do conservadorismo brasileiro
É possível que esse tom esperançoso que às vezes nos contamina tenha sido introduzido no conservadorismo contemporâneo através dos liberais e dos "iluministas de direita" americanos. Esqueça a utopia dos founding fathers.
Frente a tal espetáculo de tons apocalípticos, acabamos mesmo por vezes a nos entregar a esta agenda pragmática, de quem se alia a causas contraditórias julgando avançar a passos largos a um fim idealizado, quase maquiavélico. Na nossa vidinha fora da reflexão, talvez acabemos nos adaptando fácil demais às circunstâncias mais estapafúrdias.
Um conservadorismo idealista, ou utópico, é praticamente uma contradição em termos.
Penso que um verdadeiro conservador deve ser pessimista como os mais severos niilistas de fin de siécle; ele precisa imaginar que este é ETERNAMENTE um fin de siécle. Se você não for pessimista, se não puder conter esse espírito infantil de esperança no "inesperançável", você não está preparado para ser conservador - ou melhor, esqueça a idéia, entregue-se logo a alguma vã ideologia.
Jamais confie na natureza humana, espere sempre o pior. Na configuração atual dos acontecimentos, só mesmo um milagre, uma luz fortuita para iluminar novamente nossas mais elevadas e santificadas volições.
Criancice artística
Parece-me hoje fundamental na vida de quem pretende seguir uma carreira intelectual aprender a opinar menos, a suprimir a superficialidade do pensamento - lembremos que mesmo o silêncio pleno da mente é, por este próprio adjetivo, um mergulho profundo na consciência. De gratuito já basta o cotidiano da vida moderna, com suas experiências que nada parecem nos dizer. Aliás, a escrita do artista também deve prezar por essa fuga do efêmero, do fortuito. Dirigir o pensamento ao necessário, não hesitar como eu hesitei aqui (bom, um dia chegamos lá).
Enfim, evitar ao máximo criar um blog como este.
Paixão por fantasmas
O ser humano se apaixona cada vez mais por imagens, ou aquilo que Aristóteles chamava de "phantasmata".
