sábado, 5 de setembro de 2009

Capitalismo e tradição

(postagem de orkut que salvei)

O Japão parece ser cada vez mais o símbolo da "cultura global", ou uma mistura do tradicional com o moderno (capitalismo e globalismo).

É só lembrar de como o imagery japonês foi imerso num "ideal" (não ideal no sentido de "ideal perseguido", mas o realizável/realizado) do mundo futurista de obras de ficção científica, principalmente a partir dos anos 70/80, que é quando o desenvolvimento súbito dos japoneses atinge seu maior grau de vertiginosidade. Mesmo num Solaris, filme do cineasta russo Tarkovski de 1972, Tóquio já compõe o cenário de fundo para (breves) tomadas de uma cidade no futuro.

Nos anos 80 temos os maiores e mais diversos exemplos dessas utilização frenética de elementos orientais, principalmente em backgrounds distópicos. Blade Runner, de 1982, é o exemplo clássico. A cultura Cyberpunk, por si só, nasce oficialmente com a obra de literatura Neuromancer, repleta de alegorias japonesas e mesmo uma ambientação inicial na cidade de Tóquio ("Chiba City Blues").

Tudo isso sempre me pareceu indicar que o Japão realmente perdeu muito de sua tradição cultural em meio ao frenesi capitalista/globalista pós-guerra.

É de fato curiosíssimo que uma "nova face" do capitalismo como esta surja justamente num ambiente oriental, ainda tão imberbe se comparado mesmo ao terreno americano, que dirá europeu. É no Japão que considero possível o vislumbre da real capacidade do sistem capitalista de "produzir cultura" (vou utilizar a definição mais simplória possível de "cultura", que é a sedimentação de costumes e a atualização material deles).

É interessante também notar que tal manifestação não é uma produção cultural vernacular, genuína, pura e crua ao mesmo tempo, mas uma mistura, uma equação entre traços elementares da tradição oriental com a estrutura capitalista e moderna. Ou seja, o capitalismo é capaz de alterar profundamente uma cultura, mas não gerar uma completamente nova. Pensar o contrário pareceria ingenuidade, logicamente, acredito eu.

Aí está um bom ponto de partida para quem entende o capitalismo como um sistema globalizante por natureza.

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