Esse instinto voluptuoso que temos de nos expressar é, como já bem analisavam antigos psicólogos, uma manifestação infantil, quase uma recorrência atávica, porque faz parte da nossa descendência humana. Talvez nesse afã de expor nossos sentimentos e percepções acabemos por nos precipitar, cortando caminhos necessários à maturidade intelectual. Da criança devemos importar só o impulso, não a expressão em si, e muito menos o conteúdo. A mente, como a própria linguagem, só mantém contato com a realidade e com a sua capacidade de expressar através do formalismo. Mas isso já está mais do que bem lecionado em diversas obras importantes sobre a vida do intelectual, do escritor e do gênio criativo.
Parece-me hoje fundamental na vida de quem pretende seguir uma carreira intelectual aprender a opinar menos, a suprimir a superficialidade do pensamento - lembremos que mesmo o silêncio pleno da mente é, por este próprio adjetivo, um mergulho profundo na consciência. De gratuito já basta o cotidiano da vida moderna, com suas experiências que nada parecem nos dizer. Aliás, a escrita do artista também deve prezar por essa fuga do efêmero, do fortuito. Dirigir o pensamento ao necessário, não hesitar como eu hesitei aqui (bom, um dia chegamos lá).
Enfim, evitar ao máximo criar um blog como este.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
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