quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Conhece-te a ti mesmo

A compreensão mais empírica e concreta que podemos ter da realidade é a apreensão do nosso próprio eu. Se a primum intuitio do sujeito é de que "algo há", nosso primeiro contato da consciência com o real concreto se dá com a reflexão (primeira) sobre si mesma (e assim evitamos cair num cartesianismo bobo).

Nada há de mais tangível no universo para o sujeito do que ele mesmo. Esta atividade própria do espírito já é o testemunho inaugural de que há algo.

A partir do sujeito, o espírito segue naturalmente em direção a realidades cada vez menos concretas, conforme a razão vai gradativamente pondo à mostra o seu poder abstrativo, sem o qual a nossa inteligência ficaria presa no absoluto da individualidade sobre si (não é por menos que as crianças apresentam em suas fases iniciais altos níveis de solipsismo). No entanto, acabamos por entender mais o mundo do que a nós mesmos...

Todo sujeito cognoscente conhece mais a si mesmo do que ao mundo, embora compreenda mais o mundo do que a si mesmo.




Edit:

"One may understand the cosmos, but never the ego; the self is more distant than any star."

— Chesterton, in Orthodoxy, p.36

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