Hoje reproduzo um texto de 2007, época em que comecei o estudo realmente sério da Filosofia. Não demorou mais do que alguns meses para eu abandonar o subjetivismo, que ainda contaminava algo da minha pobre mente. Este texto abaixo foi escrito num insight sobre a objetividade e realidade do mundo enquanto eu lia algum tratado filosófico, numa pura "epifania perceptiva do Ser". Ainda desconhecendo a Ontologia mais fundamental, fui capaz de descrever numa linguagem meio poético-científica o que depois viria a descobrir constituir-se no Ser das metafísicas milenares e das verdadeiras filosofias.
O subjetivismo idealista à lá Berkeley e Hume hoje me parece impossível, como jamais havia parecido antes em minhas primárias investigações filosóficas.
Todos concordamos invariável e indubitavelmente que há um movimento no Universo, tome-o como massa física ou simplesmente como realidade fenomenológica. Se há um movimento, existe um vetor no tecido metafísico, uma orientação perceptiva, não importa para qual direção.
Ou seja, afirmo hoje, ainda com certo espanto por tal ineditismo em minhas concepções pessoais, que o idealismo subjetivista só seria possível se exatamente cada ponto de manifestação fenomenológica se equivalesse em determinados e finitos pontos no espaço da consciência, se cada ruptura na superfície das manifestações do conhecimento tivesse um espelho, aniquilando-se ou jamais movendo-se de seu loco. Imagino, desta forma, que o Universo possui um tipo de “positividade” inata, pois que mesmo ele existir indica uma orientação de vetor sem equivalência. Talvez seja esta a proposição mais básica na definição de um mundo ilimitado ao subjetivismo.
O idealismo subjetivista cético e relativista não pode jamais afirmar coisa alguma de fenômeno algum. Mesmo a existência ou não do Universo deve ser evitada. O subjetivismo não pode conter realidade. Contudo, o próprio Subjetivismo, ou Idealismo, existir, conota diretamente um sentido de vetor real. Quando algo é, ou não é, possui uma orientação, rompe o tecido fenomenológico de alguma forma.
O subjetivista idealista deveria viver numa massa caótica de conceitos equivalentes e auto-aniquiladores, mesmo não-possíveis, visto que não haveria fenômeno. Do contrário, o subjetivista idealista adquire um vetor epistemológico, um sentido qualquer em seu intelecto. Por que este sentido? Outra manifestação subjetiva de outra consciência em outro ponto no espaço levou à orientação deste vetor? Se não, como ele pode adquirir movimento fenomenológico? Aprofundando este questionamento, o subjetivista teria que abandonar o relativismo para tratar de Deus como fundo de sua “positividade” que ele nem mesmo pode explicar.
O 1 ou o 0. O tudo ou o nada. “Nada é e não é ao mesmo tempo”? Se assim fosse, esta afirmação seria. Mas também não seria? E aí entraríamos num ad infinitum que eventualmente me faz cessar quaisquer dúvidas a respeito de um fundo real em todas as coisas.
Hoje me torno um realista, dos mais convictos.
