A Metafísica nunca deveria ter precedência sobre a Teologia num mundo corretamente ordenado. Ocorre que em tempos de crise do saber simbólico e da experiência extática, a Metafísica vai paulatinamente tomando para si a tarefa de explicitar verdades teológicas, fazendo com que a verdade intuída dependa da verdade discursiva de forma quase unívoca, numa clara inversão gnoseológica. Põe-se à prova o revelado, o patente, o anamnético, enquanto o logos apodeiktikos, o investigativo, o demonstrativo, é alçado à primeira ordem. Ou seja, o que a decadência espiritual traz ao homem nada mais é do que a razão como obstáculo à passagem de luz entre a inteligência e o absoluto. O homem se vê, assim, na necessidade de carregar uma pedra muito mais pesada para chegar à transcendência. E pior; corre o risco desta pedra o levar morro abaixo, para cada vez mais longe, cada vez mais fundo (alguns vão tão fundo ao ponto de nada mais enxergar lá no topo - são os niilistas).
A razão não pode jamais negar a fé. Ora, a primeira fé que temos é a de que "há algo", por exemplo. A razão é uma faculdade operativa, logo precisa ela de matéria bruta para trabalhar, e de onde tiramos esse substrato senão da intuição?
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