A Criação da filosofia criacionista não é propriamente a Criação tomada no sentido moderno e científico "big-bangeano".
O certo seria falar em "Derivação" hoje em dia.
Vejamos:
A criação como entendida no sentido criacionista não se dá no tempo, pois um ato puro e infinito não pode estar no tempo. O tempo e a eternidade são diferentes. O tempo é a medida do movimento, a eternidade é a medida da infinitude do Ser.
O mundo é criado não cronologicamente, mas axiologicamente. A criação é coeterna.
Deus seria O SER, pois os outros seres são seres por formas específicas. Na verdade os seres que necessitam de uma terminologia mais específica seriam justamente os seres contingentes. Deus continuaria sendo Ser, na acepção ontológica mais usual.
Deus não pode ser o Não-ser, pois o Não-ser é o nada absoluto, e do nada absoluto não pode vir coisa alguma.
Ademais, toda negação e/ou privação é positiva, faz parte do Ser. Ser é uno, não pode haver nada nem acima nem "abaixo" do Ser. O Ser é a Realidade, é a positividade do Mundo.
O Infinito é imanifestável apenas em potência. Em ato, ele é o próprio Ser. O Ser não pode ser Não-Ser nem nada mais nem nada menos que Ser. Se o ser não for infinito, ele deixa de ser perfeito e torna-se um ser contingente.
Do Ser só se "derivam" os seres imperfeitos, que, por tal predicado de imperfeição, possuem potência e são atualizados, o que origina ou propriamente constitui o tempo (tempo = ato -> potência -> ato, etc. = movimento dos seres contingentes)
Ou seja, nem o Criador nem a Criação estão no tempo - são infinitos, mas a Criatura está.
É deveras complicada a apreensão de tais noções; não por menos que só podemos descrevê-las por analogias.
Assim diz o mestre.
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