terça-feira, 1 de setembro de 2009

Futuro do conservadorismo brasileiro

Lamentamos, nós, conservadores, que todos os dias sejam cada vez mais representativos daquilo que tememos, que é a dispersão de princípios perenes em atitudes pragmáticas e imediatistas. Esse pragmatismo moderno, esse filho maior e mimado do utilitarismo e do empirismo europeus, apossou-se de tal maneira de nossa realidade humana que mesmo os que acordam deste pesadelo já se sentem derrotados. O conservador do séc. XXI é essencialmente um renegado, um justiceiro difamado e condenado.

É possível que esse tom esperançoso que às vezes nos contamina tenha sido introduzido no conservadorismo contemporâneo através dos liberais e dos "iluministas de direita" americanos. Esqueça a utopia dos founding fathers.

Frente a tal espetáculo de tons apocalípticos, acabamos mesmo por vezes a nos entregar a esta agenda pragmática, de quem se alia a causas contraditórias julgando avançar a passos largos a um fim idealizado, quase maquiavélico. Na nossa vidinha fora da reflexão, talvez acabemos nos adaptando fácil demais às circunstâncias mais estapafúrdias.

Um conservadorismo idealista, ou utópico, é praticamente uma contradição em termos.

Penso que um verdadeiro conservador deve ser pessimista como os mais severos niilistas de fin de siécle; ele precisa imaginar que este é ETERNAMENTE um fin de siécle. Se você não for pessimista, se não puder conter esse espírito infantil de esperança no "inesperançável", você não está preparado para ser conservador - ou melhor, esqueça a idéia, entregue-se logo a alguma vã ideologia.

Jamais confie na natureza humana, espere sempre o pior. Na configuração atual dos acontecimentos, só mesmo um milagre, uma luz fortuita para iluminar novamente nossas mais elevadas e santificadas volições.

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